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:: CLIPPING
Contato acadêmico acelera recolocação
Fonte: Berenice Menezes - Gazeta Mercantil - 03/Ago./2001
Quando
o engenheiro Flávio Pacheco decidiu partir para um novo desafio
profissional, em junho deste ano, não recorreu à velha agenda
de telefones para iniciar conversas com antigos amigos. Desde que concluiu
o mestrado no Instituto Coppead, ele mantém contato com os colegas
da pós-graduação. Procurar saber por onde andam os
companheiros de classe ou em que companhia trabalham é prática
usual entre os ex-acadêmicos. As notícias geralmente chegam
por e-mail ou durante as periódicas reuniões sociais - conhecidas
como alumini clubs". E foi justamente a estreita relação
com colegas de turma do Coppead que levou o engenheiro ao novo cargo.
O "networking" acadêmico, de fato, se mostra urna ótima
alternativa para quem busca rápida recolocação -
por esse serviço, as associações cobram anuidades
que não ultrapassam R$ 100. "Em menos de uma semana, recebi
a proposta do Banco Boreal', diz o executivo de 32 anos que celebra o
primeiro mês em seu novo emprego. A oferta de Pacheco surgiu graças
ao empenho do "staff' da Associação de Mestres e ex-Alunos
do Coppead (AMEA).
Assim corno a AMEA, associações acadêmicas da Universidade
de São Paulo (USP), Fundação Getúlio Vargas
(FGV-SP), Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP) e Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) - todas sem fim
lucrativos - começam a perceber a força do networking"
para a promoção dos ex-alunos. A prática de recolocá-los,
até então informal, aos poucos, ganha traços profissionais.
Sem pretensão de competir com as consultorias tradicionais, deixar
para trás o amadorismo significa preencher um número cada
vez maior de posições com currículos que trazem o
selo de renomadas instituições de ensino. O nome das escolas
pesam na hora da disputa por uma vaga", diz Rubens Cabral, presidente
da AMEA. Segundo ele, as companhias contratantes constantemente travam
contato com as associações. "Além de conhecer
o perfil da escola, sabem que a rede de relacionamentos formada na academia
é forte, o que facilita a seleção".
Tamanho esforço já mostra resultados. As recolocações
feitas pela AMEA, este ano, ultrapassam os números de 2000 em pelo
menos 30%. Flávio Pacheco foi o quinto recolocado pela associação
em 2001 - o número não inclui os 49 mestres formados no
último mês de julho. "Eles estão em fase de negociação
com as empresas", diz Cabral. "No fim de setembro, 90% vão
estar recolocados". A meta da AMEA é ousada: 100 posições
até o fim deste ano.
O Coppead não está sozinho. Os ex-alunos da ESPM-SP, da
mesma forma, empenham-se para profissionalizar o serviço do "networking"
- atualmente, trabalham na atualização do banco de dados.
"A recolocação informal sempre aconteceu", diz
Rafael Lamardo, presidente do conselho. "Vamos apenas facilitar".
Segundo Lamardo, o "outplacement" será um dos benefícios
oferecidos pela escola. "O projeto inclui ainda serviços nas
áreas social, acadêmica e cultural".
A USP não fica para trás. Em abril, ex-participantes dos
MBAs também decidiram brindar seus membros com serviços
de recolocação de primeira linha. "Temos mil currículos
cadastrados", diz Ricardo Dallalana, diretor de tecnologia da Associação
dos MBAs da FIA/USP - as parcerias com empresas já somam 21
e devem chegar a 40 em agosto. Para Dallalana, o êxito desse trabalho
depende muito dos parceiros. " O feedback não poderia ser
melhor" diz. "Todos consultam periodicamente nossa base de dados".
Outra associação que simpatiza com a idéia de promover
o "networking" entre ex-alunos é a FGV-SP. A estratégia
adotada, porém, dispensa formalidades. "Temos um serviço
de aconselhamento de carreira", diz Gil Steimberg, diretor de desenvolvimento
da associação. "E é essa a ferramenta utilizada
para manter o laço entre os alunos". Em sua opinião,
a orientação vocacional faz nascer a recolocação
espontânea.
Na Puc-Rio, a associação dos antigos alunos, há três
anos, trabalha duro para manter os estudantes em contato permanente. À
frente da entidade, Paulo Niemeyer afirma que, além dos eventos
sociais promovidos a internet se mostra cada vez mais eficaz para divulgar
novas oportunidades de emprego. As empresas criaram hábito de nos
procurar antes de anunciar suas vagas'.