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Cultura organizacional: o desafio da mudança
Fonte Boletim Networking / Setembro 2005

Por Donizete Santos
Até recentemente, muitos gerentes acreditavam que tecnologia de ponta, ancorada por processos bem definidos, era suficiente para assegurar bom desempenho nas vendas e conseqüente sucesso nos negócios. Sem dúvida, são elementos importantes. No entanto, nossa experiência na busca pela otimização dos ativos industriais tem nos mostrado que - se iremos lograr êxito na empreitada de reduzir custos de manutenção e ao mesmo tempo aprimorar a performance industrial - precisamos ir além do que já se comprovou vital.

Descobrimos o papel relevante da cultura empresarial como agente propulsor da modernização. As parcerias realizadas com clientes dos segmentos de siderurgia, papel e celulose, petroquímica, mineração, agroindústria e outros, nos revelaram que novas tecnologias têm sido apresentadas em intervalos médios de dois anos. Ao mesmo tempo, novos processos para introdução e implantação dessas tecnologias têm sido desenvolvidos e implementados com defasagem média de um ano. Ou seja, temos conseguido avançar com os processos num ritmo quase simultâneo ao das inovações tecnológicas. Entretanto, a efetivação de mudanças na cultura organizacional tem demandado de 8 a 10 anos para ser modificada.

Reside aí, pois, o grande desafio: como criar condições e estímulos para que as pessoas que compõem a organização incorporem, com maior velocidade e sem traumas, novas tecnologias e processos? O dilema é similar ao que experimentamos em nossa vida pessoal. Adquirimos um sofisticado eletrodoméstico e ficamos encantados com seus recursos. Tecnologia nova e manual de instrução, contudo, não asseguram que o novo equipamento seja incorporado à nossa vida.

Pitoresca é a história da vovó que ganhou do neto um forno de microondas. Encantada, ouviu com atenção as instruções e imediatamente começou a usar o aparelho. Meses depois, porém, o moderno forno de microondas transformou-se num prático armário. Cozinhar, assar e outras peripécias culinárias continuavam sendo executadas da forma tradicional.

Isso nos leva a questionar a tendência de, repetidas vezes, relutarmos em substituir o velho e limitado equipamento pelo último lançamento tecnológico, mais promissor. Ainda que não o rejeitemos completamente, limitamo-nos a utilizá-lo em situações excepcionais, como mera alternativa. Resistência natural ao novo? Comodismo? Receio de que algo saia errado?

Nas empresas, esses fatos se repetem. Não basta contar com a mais avançada tecnologia e dominar os processos para dela extrair o melhor. O desafio é mudar a cultura empresarial, a mentalidade coletiva que aceita ou rejeita indistintamente o novo, incluindo avanços tecnológicos na forma de equipamentos e sistemas e os respectivos processos que os viabilizam.

Visando assegurar o sucesso de empreendimentos de inovação, os projetos SKF de otimização da eficiência do ativo são desenvolvidos levando em conta a tríade "tecnologia-processos-cultura". Acreditamos ser importante deixar à disposição dos clientes uma equipe de engenheiros e consultores de processos, para assessorá-los e, ao mesmo tempo, assumir responsabilidade por reduções de custos de manutenção e por melhorias de produtividade em suas operações. Além do uso de tecnologia de ponta e do desenvolvimento de processos compatíveis com tal tecnologia, também é fundamental estar preparado para auxiliar os clientes a integrar de forma harmônica o terceiro e, talvez, o mais complexo elemento - o homem.

Donizete Santos é presidente da SKF do Brasil e ex-aluno do MBA Executivo Internacional da FIA/ USP.

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