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Executivos voluntários dão aulas de gestão às organizações sociais

O maior problema das entidades do terceiro setor sempre foi como conseguir dinheiro para manter suas atividades. Porém, mesmo depois de conseguir fontes de recursos, essas instituições ainda têm de resolver uma séria questão: como administrar seus recursos. Foi pensando em resolver esse problema que a associação dos ex-alunos do curso de pós-graduação executivo da Universidade de São Paulo (USP/MBA-EXES), criou um curso para ensinar os responsáveis por essas organizações a administrarem suas instituições. O curso, conhecido como GESC, tem 120 horas de aula e cada organização ainda recebe uma consultoria de acompanhamento durante o treinamento. Todos os participantes do programa, professores e consultores, são ex-alunos do curso de MBA da USP que trabalham voluntariamente no projeto, sem ganhar nada.

"Normalmente as organizações são fundadas por pessoas de boa vontade, que começam ajudando a vizinhança e, quando a instituição cresce, não sabem como administra-la e acabam precisando de ajuda", diz Agnes Ezabella, presidente da Associação dos MBAs da FIA/USP.

Segundo a executiva, a consultoria é o grande diferencial do GESC, já que o consultor ajuda a entidade a elaborar um projeto que deve ser apresentado até o término do curso, como uma espécie de prova final. Grande parte desses projetos acabam se concretizando após o programa.

Até este ano foram realizadas 22 turmas do curso, tendo treinado mais de 300 pessoas em 153 entidades assistenciais. O número de executivos voluntários já passa de 150. O contato entre o consultor voluntário e a associação muitas vezes não termina com o final do curso, sendo que muitos executivos acabaram "adotando" suas entidades.

Porém, o grande feito do USP/MBA-EXES está sendo levar o treinamento para fora da associação. Alguns ex-alunos que participaram para o programa resolveram levar o curso para as empresas em que trabalham e a idéia foi bem-recebida.

É o caso de Cristian Jaty Silva, diretor comercial da Bardella, indústria mecânica de Guarulhos, que pertencia ao USP/MBA-EXES e apresentou o GESC para seus colegas. Silva conquistou mais de 20 colaboradores e conseguiu implantar a primeira turma de treinamento fora da associação.

"A Bardella adotou o programa e mais de 20 funcionários, entre gerentes, diretores e vice-presidentes, se tornaram voluntários", diz Silva. O grupo já está realizando o segundo GESC este ano, somando 23 instituições beneficiadas.

Os funcionários da AstraZeneca, empresa farmacêutica, também resolveram levar o GESC para seu ambiente de trabalho, na região de Cotia (SP). Gabriela Tierno, diretora de recursos humanos do grupo, afirmou que o projeto já conquistou 30 executivos entre diretores e gerentes, que participam do programa fora do horário de trabalho.

O grupo realizou seu primeiro GESC no início deste ano e já planeja o segundo para o ano que vem. Assim como a Bardella fez em Guarulhos, na formatura das 14 instituições que participaram do curso na AstraZeneca, empresas da região de Cotia foram convidadas para conhecer os programas desenvolvidos pelas entidades durante o curso, o que despertou a atenção de muitos convidados para se tornarem um possível patrocinador.

Mas o GESC não se restringe à região da Grande São Paulo. O programa chegou à distante Mucuri (BA), levado por um diretor da companhia de papel e celulose Bahia Sul, do grupo Suzano. Segundo Agnes, os executivos da empresa estão sendo treinados pelos instrutores da USP/MBA-EXES por meio de videoconferência para que possam implantar o primeiro GESC na região.

Marcelo Lojudice/Valor Econômico - 23/Out./2001

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