GESC



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Ex-alunos de MBA ensinam ONGs
Fonte: Tânia Nogueira Alvares - Gazeta Mercantil - 29/Jul/2002

Gestão para Organizações da Sociedade Civil já capacitou mais de 360 gestores em todo o Brasil.

Alunos e ex-alunos dos MBAs da Universidade de São Paulo (USP), reunidos em uma associação, dedicam-se a um trabalho voluntário fazendo o que sabem melhor: ensinar entidades assistenciais e organizações não-governamentais (ONGs) a elaborar um plano de gestão eficiente que permita atrair novos financiadores para seus projetos sociais, além de otimizar os recursos - quase sempre insuficientes - que elas já obtêm junto à comunidade e ao governo.

"O curso é específico para entidades sem fins lucrativos e tem como grade básica conceitos de administração financeira, captação de recursos, aproveitamento de talentos, elaboração de projetos e marketing", Segundo a consultora Agnes Ezabella, presidente da Associação dos MBAs da FIA/USP, criada por ex-alunos do MBA Executivo Internacional da FIA/ FEA. Dos atuais 800 afiliados, cerca de 130 estão envolvidos no trabalho de voluntariado.

Efeito multiplicador - O projeto, que recebeu o nome de GESC - Gestão para Organizações da Sociedade Civil, vem sendo executado desde 97 e já capacitou mais de 360 gestores, representantes de 170 entidades de todo o Brasil. Cerca de 280 executivos já doaram parte de seu tempo e conhecimento. Em geral, o curso é composto por dez módulos em um total de 120 horas, sendo 90 teóricas e 30 práticas. Alguns executivos também receberam treinamento da associação para atuarem como instrutores em alguns módulos e também como consultores sociais nos projetos.

O GESC tem demonstrado grande capacidade de multiplicação. Luiz Alberto Chaves, integrante da associação, levou o projeto para o extremo sul da Bahia e para o norte do Espírito Santo, região de influência da Suzano Bahia Sul, indústria de papel e celulose onde Chaves ocupa o cargo de gerente geral de recursos humanos. "A iniciativa faz parte da estratégia de ação social e de relacionamento da empresa com a comunidade onde atua."

Na semana passada, foi iniciado um segundo grupo de capacitação, com a participação de 15 entidades assistenciais. Mesmo número que participou do primeiro curso, realizado em 2001. Do total, 13 desenvolveram projetos para serem aplicados em suas entidades; três já conseguiram atrair novos financiadores; dois estão se capacitando para obter recursos externos.

Segundo Chavez, o desenvolvimento de um projeto de qualidade facilita a recepção de apoio por parte de empresas interessadas em ampliar sua atuação social. "Até mesmo as agências do governo exigem hoje projetos bem elaborados para liberar recursos."

Para levar o curso para o município de Mucuri, no extremo sul da Bahia, Chavez fez um convênio com a associação de alunos da USP, que enviou profissionais, material didático e possibilitou a realização de algumas aulas através de videoconferência, realizadas em salas da Bahia Sul.

Funcionários voluntários - A indústria também capacitou 49 funcionários que se dispuseram a trabalhar como voluntários junto às entidades assistenciais da região. Deles, 28 vão atuar como instrutores e 21 como consultores. O custo do primeiro curso para a Suzano Bahia Sul foi de R$ 50 mil, e incluiu despesas com o deslocamento de pessoas das entidades participantes. "É um investimento relativamente baixo, na minha percepção, se comparado com o potencial de alavancar a abrangência das ações sociais", diz Chaves.

Em outubro, o projeto vai ser implantado também na unidade do grupo em Suzano, município de São Paulo. A idéia é convocar outras empresas da região para fazer um trabalho conjunto, segundo o gerente da Suzano Bahia Sul.

Administrador de empresas com MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Staffa, diretor financeiro do Hospital e Maternidade São Luiz, sentiu-se atraído pelo projeto da USP e, " apesar de forasteiro", atua hoje como professor de planejamento estratégico do GESC e consultor do Instituto de Apoio à Criança e ao adolescente com Doenças Renais (ICRIM).

Criado por médicos e nutricionistas do Setor de Nefrologia Pediátrica da Univer sidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP- EPM), o ICRIM recebe consultoria de Staffa desde 98 que, no ano seguinte, levou alguns membros da entidade para realizar o curso e capacitar os gestores para a parte de administração fin anceira, jurídica e de recursos humanos. "As pessoas que dirigem organizações sociais têm uma grande boa vontade, mas não têm experiência administrativa."

Segundo ele, o GESC ajuda as entidades a definir modelos estruturados de captação de recursos. "A s entidades do Terceiro Setor relutam em aceitar que hoje existe grande concorrência entre elas. A realidade é que quem chegar primeiro terá mais condições de obter recursos financeiros, deixando os retardatários para trás." Staffa diz que é preciso convencer os financiadores que aquela entidade é o melhor lugar para colocar os recursos das empresas que representam. Ele destaca outro ponto importante. "É preciso manter os financiadores informados sobre o uso de seus recursos."

No caso do ICRIM, que te m seu método de captação de recursos baseado no telemarketing, eles têm sido utilizados para criar uma unidade de hemodiálise pediátrica, com capacidade de atendimento para 40 crianças; reformar a unidade de diálise peritoneal, abrir uma enfermaria com mais quatro leitos - o que significa diálise para mais oito crianças, comprar equipamentos e medicamentos entre outros. Os novos projetos incluem ainda, a reforma da Unidade de Internação de Pediatria Clínica do Hospital São Paulo, com quem a entidade tem um convênio.

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