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A profissionalização chega às organizações sociais
Fonte: Soraia Haddad - Gazeta Mercanti - 09/Dez/2002

Cursos tratam Ongs como empresas, fornecendo ferramentas de gestão

A profissionalização é o caminho que as organizações não-governamentais (ONGs) devem seguir para se firmarem no mercado crescente do terceiro setor. "Todas as entidades que não forem em busca da modernização não vão se manter", enfatiza Marcos Francisco Simão, gerente de Sistemas e Tecnologia da Qualix Serviços Ambientes e consultor voluntário do GESC- Gestão para Organizações da Sociedade Civil.

Simão e mais 37 voluntários desenvolvem um trabalho voluntário com as entidades de todo o País. O GESC ministra cursos que abrangem conteúdos de marketing, gestão, finanças, qualidade e tecnologia, entre outros. "Entidades são miniempresas; têm orçamento, relacionamento com clientes, precisam mostrar resultados", diz o consultor. Ele explica que a finalidade de uma Ong é "a transformação de um ser humano, enquanto que o de uma empresa é mostrar resultados". Por que não unir os dois pontos e alavancar os negócios, sem modificar a luta pela causa social?

As entidades já se dão conta de que precisam dessa profissionalização. É o caso do Centro Israelita de Assistência ao Menor (Ciam), na capital, e da Sociedade de Educação e Caridade Lar Madre Benedita, em Osasco. Line de Pádua, assistente social do Lar Madre Benedita, conta que no início do curso foi difícil admitir que o usuário é um cliente. "Percebemos que dá para usar a linguagem empresarial e trazer benefícios para nossa entidade", afirma. "Se não há profissionalização, é feita caridade por caridade", complementa.

Segundo Simão, são sempre duas pessoas com poder de decisão que participam do curso. "O objetivo é atingir a multiplicação do aprendizado", conta. O programa tem duração de três meses e o desembolso é de R$ 1.000. A última edição do GESC, que terminou na semana passada, reuniu 11 instrutores e 27 consultores. As entidades tiveram de desenvolver um projeto sobre a problemática enfrentada em suas instituições e como fazer para posteriormente implementá-lo. Cada projeto teve a supervisão de um consultor.

O Lar Madre Benedita desenvolveu um projeto para aprimorar e fortalecer o trabalho realizado com as crianças e adolescentes por eles assistidos - com idades entre sete e 14 anos. "O GESC nos auxiliou em relação ao envolvimento com o funcionário e na aferição do nosso trabalho e potencial social", garante Line de Pádua.

Já no caso do Ciam, que presta serviços a deficientes mentais e prepara jovens e adultos para a inclusão escolar, foi desenvolvido um projeto mercadológico - Marketing, uma Abordagem Relacional. "Estamos aguardando a aprovação da diretoria para colocá-lo em prática", diz Andréa Man de Carvalho, coordenadora do Centro de Educação e Desenvolvimento da unidade Jaguaré do Ciam. "Percebemos que o marketing - como lidar com novos clientes, como mostrar a nossa missão - era nosso ponto fraco", prossegue.

Andréa comenta que o curso mudou a forma de coordenar a entidade e entende que o terceiro setor precisa mesmo se profissionalizar. Para a representante do Ciam, mesmo com a profissionalização "não se perde a paixão pela causa".

O GESC é um projeto social criado em 1997 pela Associação dos alunos e ex-alunos dos MBAs da FIA. Os consultores vão fazer o acompanhamento das entidades para aferir o aprimoramento, após seis meses e um ano

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