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:: CASOS DO GESC

Doutores da Alegria

Imagine a cena: um grupo de palhaços dentro de um hospital fazendo planejamento estratégico. Parece filme surrealista, mas esse foi um dos mais importantes resultados do GESC para o grupo Doutores da Alegria.

Wellington Nogueira, presidente dos Doutores da Alegria - uma associação do terceiro setor que ajuda crianças hospitalizadas a resgatar sentimentos saudáveis, como alegria e prazer, para enfrentar as doenças - fez parte da primeira turma do GESC, no primeiro semestre de 1997. "Éramos as Virgens do GESC'", brinca Wellington.

"A cena dos palhaços é engraçada e, ao mesmo tempo, bonita. E aconteceu de maneira natural. Depos de cursar o Gesc, nós entendemos que poderíamos ser bons empreendedores, mesmo pertencendo ao mundo artístico. Percebemos que também existe arte no administrar, no gerir", declara. Antes do curso, Wellington não tinha segurança do que estava fazendo. "Eu pensava: 'Daqui a pouco vão perceber que eu sou louco! Eu sou um ator, não sou empresário!'"

Mas, quando os professores do GESC analisaram o trabalho e disseram que o grupo estava no caminho certo, tudo mudou. "Aquilo me deu uma força! Me encheu de entusiasmo. Comecei a querer montar mais projetos, a perder o medo do que estava fazendo."

Hoje, o Doutores da Alegria atua em vários hospitais, entre eles o Hospital das Clínicas, o Centro de Tratamento e Pesquisa do Hospital do Câncer, o Albert Einstein e o Instituto Emílio Ribas, todos em São Paulo. Além de beneficiar as crianças, os palhaços mudaram até o comportamento dos médicos dos hospitais.

"Eles agora valorizam a alegria no tratamento. Quando a criança entra em contato com seu lado mais saudável, a consequência é a alegria, a aceitação do processo e a descoberta de que ela pode lutar contra a doença. Isso fez com que nosso trabalho desse força tanto às crianças quanto aos médicos", conta Wellington.

Como aluno da primeira turma do GESC, ele lembra que havia um clima muito forte de cooperação nas aulas. Era a primeira vez em que profissionais de diferentes setores da sociedade se encontravam para trocar conhecimentos e experiências. "Os professores faziam questão de dizer que estavam aprendendo conosco", diz Wellington, que nunca se esquece do comentário feito pelos executivos que davam aula: "Nós nos descobrimos".
Depoimento feito a Adriana Lutfi e Agnes Ezabella, no livro Caminhos de Solidariedade, da Editora Gente.

Rainha da Paz

Da primeira grande ação de captação de recursos, realizada após o GESC pela Associação Rainha da Paz, a entidade saiu com R$ 40 mil para o seu projeto de padaria experimental. Na platéia, mais de 30 empresários ouviram a apresentação da organização feita por uma de suas fundadoras e resolveram contribuir.

Parte do sucesso desta ação, a protagonista da história acima - Maria Regina Sigaki - atribui aos seus aprendizados no curso GESC. "Antes, quando apresentava a Rainha eu só falava da parte emocional, da pobreza e carência das nossas comunidades", relata. "Agora, priorizo a parte técnica, os números e as mudanças que a organização promove. É isso que estas pessoas querem ouvir".

Integrante da turma que concluiu o GESC no final de 2002, Regina é uma das fundadoras e, atualmente, uma das diretoras da Associação do Abrigo Nossa Senhora Rainha da Paz do Jardim Fim de Semana. A ONG foi fundada oficialmente em março de 1994, mas já funcionava ativamente seis anos antes.

A Rainha da Paz atua em quatro favelas da Zona Sul de São Paulo, com população de 15 mil pessoas, promovendo o atendimento de necessidades básicas, capacitação profissional e atividades culturais e de lazer. Visando sempre a valorização do ser humano, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento da cidadania, como prega a missão da entidade.

Aliás, quando Regina se refere à missão da Rainha, costuma se lembrar do GESC. "Nós sabíamos o que queríamos realizar, mas colocar no papel era muito difícil. Foi lá que aprendemos a fazer isso." Segundo ela, agora a entidade consegue planejar suas estratégias, organizar seus objetivos e ter clareza do rumo desejado.

Mas esta aprovação ao GESC nem sempre existiu. Regina foi cursar o programa praticamente obrigada por um parceiro antigo. Naquela época, ela andava cansada e descrente dos cursos e palestras que sempre freqüentara. "Me incomodava aquele monte de ricos, de uma realidade totalmente diferente, vindo ensinar os pobres."

Foram as trocas de experiências, os debates constantes, o contato direto com outras organizações, seus problemas e soluções, que mudaram a opinião de Regina a respeito do curso da Associação de MBAs da FIA/USP. "O que gostei no GESC é que eles têm consciência que não sabem tudo. Estão ali para nos ensinar o que sabem, mas também para aprender com a gente."